Mecanismos de Defesa

É a maneira em que nos comportamos ou pensamos para nos proteger melhor ou para nos defendemos. Os mecanismos de defesa são uma maneira de ver como as pessoas se distanciam da plena consciência de pensamentos, sentimentos e comportamentos desagradáveis. É uma estratégia do ego para proteger a personalidade do perigo distorcendo a realidade.

 

Os psicólogos categorizaram os mecanismos de defesa em relação ao quanto ela é primitiva. Quanto mais primitivo é um mecanismo de defesa, menos eficaz será em longo prazo. No entanto, mecanismos de defesa mais primitivos geralmente são muito mais efetivos em curto prazo e, portanto, são favorecidos por muitas pessoas e especialmente crianças (quando esses primeiros mecanismos de defesa são aprendidos pela primeira vez). Os adultos que não aprenderam maneiras de lidar com o estresse ou os eventos traumáticos em suas vidas, muitas vezes, também recorrem a mecanismos de defesa primitivos.

 

A maioria dos mecanismos de defesa é bastante inconsciente. O que significa que a maioria de nós não percebe que estamos usando no momento. Identificar pode ser muito útil, pois podem ajudar uma pessoa a tomar consciência dos mecanismos de defesa que estão usando, de sua eficácia e da forma que está sendo usado.

A-Mecanismos de defesa primitiva

 

  1. Negação (Exclui a realidade)

A negação é a recusa de aceitar a realidade ou fato, agindo como se um evento doloroso, pensamento ou sentimento não existisse. É considerado um dos mecanismos mais primitivos da defesa porque é característico do desenvolvimento da primeira infância. Muitas pessoas usam a negação em suas vidas cotidianas para evitar lidar com sentimentos dolorosos ou áreas de sua vida que não desejam admitir. Por exemplo, uma pessoa que é alcoólatra simplesmente negará que eles tenham um problema de beber, apontando para o quão bom eles funcionam em seu trabalho e relacionamentos independentemente dos efeitos da bebida. Podemos citar outro exemplo, o comportamento de crianças de “mentir”, negando ações que realizaram e que gerariam castigos.

 

  1. Regressão (Escapa da Realidade)

A regressão é a reversão de um estágio anterior de desenvolvimento em diante de pensamentos ou impulsos inaceitáveis. Um exemplo, um adolescente que está dominado pelo medo, a raiva e os impulsos sexuais crescentes podem se tornar viciados e começar a exibir comportamentos de infância anteriores que há muito superados e incontroláveis. Um adulto pode regredir quando sobre grande estresse, se recusando a deixar a cama em vez de cumprir suas atividades normais e diárias. Um outro exemplo é o comportamento de crianças que, na dificuldade em seus relacionamentos com outras crianças, retornam, por exemplo, a fase oral e retomam o uso de chupetas, ou ainda, comem excessivamente.

 

  1. Atuação ou Encenação (Encena a Realidade)

Comportamento extremo para expressar pensamentos ou sentimentos que a pessoa se sente incapaz de expressar de outra forma. Em vez de dizer: “Estou com raiva de você”, uma pessoa que atua pode lançar um livro na cabeça da pessoa. Ou dar um chute na parede. Quando uma pessoa age assim, pode atuar como uma liberação de pressão, e muitas vezes ajuda o indivíduo a se sentir mais calmo e pacífico novamente. Por exemplo, a auto lesão também pode ser uma forma de atuação, expressando em dor física o que não se pode sentir emocionalmente.

  1. Dissociação (desconexão da Realidade)

A dissociação é quando uma pessoa encontra outra representação de si mesmo para continuar no momento. Uma pessoa que se dissocia muitas vezes perde o tempo ou os próprios processos de pensamento e memórias. Modificação temporária, mas drástica, do caráter ou do senso de identidade individual a fim de evitar angústia, inclui estados de fuga e reações de conversão histérica. Em casos extremos, a dissociação pode levar a uma pessoa a acreditar que eles têm múltiplos eus (“transtorno de personalidade múltipla”). As pessoas que usam dissociação muitas vezes têm uma visão desconectada de si mesmas em seu mundo. O tempo e a própria autoimagem podem não fluir continuamente, como acontece com a maioria das pessoas. Desta forma, uma pessoa que se dissocie pode “se desconectar” do mundo real por um tempo e viver em um mundo diferente que não está cheio de pensamentos, sentimentos ou memórias que são insuportáveis.

 

  1. Compartimentalização (divide a Realidade)

A compartimentação é uma forma menor de dissociação, em que partes de si são separadas da consciência de outras partes e se comportam como se tivessem em conjuntos de valores separados. Um exemplo pode ser uma pessoa honesta que engana o imposto de renda e mantêm seus dois sistemas de valores distintos e não integrados. Outro exemplo é os princípios religiosos em relação a códigos de negócios, cada um com suas regras.

 

  1. Projeção (Coloca sentimentos na Realidade)

A projeção é a atribuição errada de pensamentos, sentimentos ou impulsos indesejáveis ​​de uma pessoa para outra pessoa que não possui esses pensamentos, sentimentos ou impulsos. A projeção é usada especialmente quando os pensamentos são considerados inaceitáveis ​​para a pessoa expressar, ou sentem-se completamente à vontade para tê-los. Por exemplo, a esposa está brava com o marido por não escutar, quando na verdade é a esposa irritada que não escuta. Outro exemplo, o fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós mesmos, a outra pessoa está agindo normalmente. A projeção é muitas vezes o resultado de uma falta de percepção e reconhecimento de suas próprias motivações e sentimentos.

 

  1. Formação Reativa (Inverte a Realidade)

A Formação Reativa é a conversão de pensamentos, sentimentos ou impulsos indesejados ou perigosos em seus opostos. Por exemplo, uma mulher que está muito irritada com o chefe dela e gostaria de abandonar o cargo pode ser excessivamente gentil e generosa em relação a seu chefe e expressar vontade de continuar trabalhando para sempre. Ela é incapaz de expressar as emoções negativas de raiva e infelicidade com seu trabalho e, em vez disso, se torna excessivamente gentil em demonstrar publicamente sua falta de raiva e infelicidade.

  1. Conversão (transfere a Realidade)

Consiste em uma transposição de um conflito psíquico e uma tentativa de resolução desse conflito por meio de expressões somáticas como dores de cabeça. Passa-se o problema da mente para o corpo.

 

 

  1. Repressão (Evita a Realidade)

A repressão é o bloqueio inconsciente de pensamentos, sentimentos e impulsos inaceitáveis. A chave para a repressão é que as pessoas o fazem inconscientemente, então muitas vezes têm muito pouco controle sobre isso. “Memórias reprimidas” são memórias que foram inconscientemente bloqueadas de acesso ou exibição. Em casos extremos (um acontecimento extremamente doloroso), a repressão pode apagar não só a lembrança do acontecimento, mas também tudo que diz respeito a ele, inclusive seu próprio nome e sua identidade, criando uma profunda amnésia.

 

  1. Identificação ( Identifica-se com outra Realidade)

O indivíduo pode diminuir ou evitar a angústia identificando-se com outras pessoas ou grupos, de forma a se proteger. Por exemplo, uma pessoa que sofreu um recente fracasso pode identificar-se com o triunfo de outras, como se aquele triunfo também fosse dela. Também, ameaças externas ao eu podem ser reduzidas quando a pessoa passa a ver essas ameaças voltadas para um grupo mais amplo ao qual se identifica e não apenas a ela. Por isso, temos a tendência de fazer algo que consideramos perigoso quando estamos em grupo, assim o sentimento de culpa e angústia ligado a tal ação se dilui no grupo inteiro.

A maior parte das identificações ocorre no mundo da fantasia, temos como exemplo: a criança que se identifica com seu herói favorito; a moça que se identifica com a “mocinha” da novela, etc. De forma branda, a identificação pode ajudar a pessoa a torna-se mais confiante e ajudar em seus ajustamentos. Porém, em excesso, causa dependência e impede o indivíduo de enfrentar seu problema. Um caso excepcional de identificação defensiva é a identificação com o agressor: nesse tipo de identificação, o indivíduo procura se identificar com pessoas ou grupos que o ameaçam, ele é transformado de agredido para agressor. Isso explica a síndrome de Estocolmo.

 

  1. Deslocamento (Desloca a Realidade para um outro lugar)

O deslocamento é o redirecionamento de pensamentos, sentimentos e impulsos dirigidos a uma pessoa ou objeto, mas retirados sobre outra pessoa ou objeto. As pessoas costumam usar o deslocamento quando não podem expressar seus sentimentos de forma segura para a pessoa a quem estão dirigidos. O exemplo clássico é o homem que se irrita com o chefe dele, mas não consegue expressar sua raiva em seu chefe por medo de ser demitido. Em vez disso, ele chega em casa e chuta o cachorro ou começa uma discussão com sua esposa. O homem está redirecionando sua raiva de seu chefe para seu cão ou esposa. Naturalmente, este é um mecanismo de defesa bastante ineficaz, porque, enquanto a ira encontra uma rota para a expressão, é uma aplicação incorreta para outras pessoas ou objetos inofensivos que causará problemas adicionais para a maioria das pessoas.

  1. Intelectualizacão (retira o sentimento da Realidade)

A intelectualização é a excessiva ênfase no pensamento quando confrontado com um impulso, uma situação ou um comportamento, sem empregar qualquer tipo de emoção sem conseguir colocar os pensamentos em um contexto emocional e humano. Em vez de lidar com as dolorosas emoções associadas, uma pessoa pode empregar a intelectualização para distanciar-se do impulso, evento ou comportamento. Por exemplo, uma pessoa que acaba de receber um diagnóstico médico terminal, ao invés de expressar sua tristeza, concentra-se nos detalhes de todos os possíveis procedimentos médicos. -“Eu sei, eu já li tudo isso! Não é bem assim, tem muita coisa nova!”.

 

  1. Racionalização (Redefine a Realidade)

A racionalização está colocando algo em uma luz diferente ou oferecendo uma explicação diferente para as percepções ou comportamentos de alguém diante de uma realidade em mudança. Por exemplo um rapaz que viaja de graça em um ônibus e busca várias justificativas para seu ato como “a passagem é muito cara”, “a empresa já tem muito dinheiro”, “eu pago passagem todo dia, um dia a menos não vai fazer diferença”, “o ônibus está lotado, não vou passar pela borboleta, vou ficar aqui mesmo”.

Outro exemplo: um aluno que, não conseguindo responder a uma questão, diz “isso não é interessante de saber mesmo”, “não respondi porque não tive tempo de estudar, pois lá em casa fazem muito barulho”.

Ou então: alguém que não consegue algo que deseja e logo se justifica dizendo que, na verdade, não queria aquilo.

Outro exemplo: um rapaz que foi dispensado por uma garota, da qual estava a fim, logo diz “ela nem era tão boa assim, era até feia, não sei como fui gostar dela”.

 

  1. Anulação (tenta anular a Realidade)

Anulação é a tentativa de retomar um comportamento inconsciente ou pensar que é inaceitável ou prejudicial. Por exemplo, depois de perceber que você apenas insultou seu amigo sem querer, você pode gastar a próxima hora, louvando sua beleza, charme e intelecto. Ao “anular” a ação anterior, a pessoa está tentando neutralizar o dano causado pelo comentário original, esperando que os dois se equilibrem mutuamente.

 

Observação: Muitas pessoas empregam mecanismos de defesas primitivas descritas acima quando adultos porque elas funcionam bem para muitos, mas elas não são as formas mais adequadas de lidar com nossos sentimentos, estresse e ansiedade. E mesmo assim, se você se reconhecer usando alguns desses, não se sinta mal, todo mundo faz.

 

B-Mecanismos de defesa mais maduras

 

Os mecanismos de defesa madura são muitas vezes os mais construtivos e úteis para a maioria dos adultos, mas podem requerer prática e esforço para serem utilizados diariamente. Embora os mecanismos de defesa primitivos façam pouco para tentar resolver problemas ou os problemas subjacentes, as defesas maduras estão mais focadas em ajudar uma pessoa a ser um componente mais construtivo do meio ambiente. As pessoas com defesas mais maduras tendem a estar mais em paz consigo mesmas e com elas à sua volta.

 

  1. Sublimação

A sublimação é simplesmente a canalização de impulsos, pensamentos e emoções inaceitáveis ​​para os mais aceitáveis. Canalizando os desejos afetivos para outras atividades ou alvos, descarregamos nossa energia acumulada em outras áreas, minimizando a tensão e o sofrimento. Por exemplo, quando uma pessoa tem impulsos sexuais, eles não gostariam de agir, eles podem se concentrar em exercícios físicos. Reencaminhar impulsos tão inaceitáveis ​​ou nocivos para o uso produtivo ajuda a uma pessoa a canalizar energia que, de outro modo, seria perdida ou usada de forma a causar maior ansiedade e danos a si mesmo. Outro exemplo: Uma pessoa que tem uma necessidade obsessiva de controle e ordem torna-se um empreendedor de negócio bem sucedido.

A sublimação também pode ser feita com humor ou fantasia. O humor, quando usado como mecanismo de defesa, é a canalização de impulsos ou pensamentos inaceitáveis ​​em uma história ou brincadeira. O humor reduz a intensidade de uma situação e coloca uma barreira entre a pessoa e os impulsos. A fantasia, quando usada como mecanismo de defesa, é a canalização de desejos inaceitáveis ​​ou inatingíveis na imaginação.

 

  1. Compensação

A compensação é um processo de contrabalançar psicologicamente as fraquezas percebidas ao enfatizar a força em outras áreas. Ao enfatizar e concentrar-se em seus pontos fortes, uma pessoa está reconhecendo que eles não podem ser fortes em todas as coisas e em todas as áreas em suas vidas. Por exemplo, quando uma pessoa diz: “Eu posso não saber como cozinhar, mas eu tenho a certeza que posso tirar os pratos na mesa e lavar!”, Eles estão tentando compensar sua falta de habilidades culinárias, enfatizando suas habilidades de limpeza. Quando feito de forma adequada e não na tentativa de compensar demais, a compensação é mecanismo de defesa que ajuda a reforçar a autoestima e autoimagem de uma pessoa.

 

  1. Assertividade

A assertividade é a ênfase das necessidades ou pensamentos de uma pessoa de uma maneira respeitosa, direta e firme. As pessoas que são passivas e se comunicam de forma passiva tendem a ser boas ouvintes, mas raramente falam por elas mesmas ou por suas próprias necessidades. As pessoas que são agressivas e se comunicam de forma agressiva tendem a ser bons líderes, mas muitas vezes à custa de empacar suas ideias e necessidades das pessoas. As pessoas que são assertivas atingem um equilíbrio onde falam por si mesmas, expressam suas opiniões ou necessidades de uma forma respeitosa, porém firme, e escutam quando são faladas. Tornar-se mais assertivo é uma das habilidades de comunicação mais desejadas e mecanismos de defesa úteis que a maioria das pessoas quer aprender e se beneficiaria ao fazê-lo.

 

 

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Os mecanismos de defesa são comportamentos mais frequentemente aprendidos e a maioria dos quais, aprendemos durante a infância. Isso é bom, porque isso significa que, como adulto, você pode escolher aprender novos comportamentos e novos mecanismos de defesa que podem ser mais benéficos para você em sua vida na identificação de comportamentos que você gostaria de reduzir.

Utilize e desenvolva mecanismos de defesa mais útil e construtivo que transforma a energia de algo que é potencialmente prejudicial em algo bom e útil para si e para todos.

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